O apelido que virou identidade no gol de Cabo Verde
Josimar Dias, conhecido como Vozinha, foi destaque ao garantir um empate sem gols entre a seleção de Cabo Verde e a poderosa Espanha. O nome “Vozinha” chamou atenção, mas sua origem vai muito além do campo e não tem relação com a idade do goleiro, que tem 40 anos.
O apelido nasceu na infância, quando Josimar ainda morava na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Ele não cresceu com os pais, pois seu pai servia no exército e sua mãe trabalhava intensamente, sendo criado pelos avós. Desde pequeno, Josimar jogava futebol nas ruas com meninos mais velhos e tinha um perfil competitivo e rebelde, o que muitas vezes o colocava em situações difíceis, levando “muita pancada” sem conseguir se defender.
Após levar golpes e perder as disputas, Josimar voltava para casa emburrado e com a expressão fechada. As outras crianças começaram a brincar dizendo que ele ia “reclamar com a vozinha”. Foi assim que o apelido pegou e o acompanhou para sempre.
Bastidores do apelido no futebol profissional
Mais tarde, quando começou sua carreira em Angola, Josimar encontrou outro goleiro com o mesmo nome no elenco. Para evitar a confusão de “Josimar II”, ele optou por resgatar o apelido da infância, “Vozinha”, que se tornou sua marca registrada no futebol.
Vale destacar que o nome original do goleiro é uma homenagem ao ex-lateral-esquerdo Josimar, que atuou no Botafogo entre 1981 e 1989 e brilhou na Copa do Mundo de 1986 pela Seleção Brasileira.
Contexto linguístico de Cabo Verde e o significado cultural
Entender a origem do apelido também passa pelo conhecimento do contexto linguístico de Cabo Verde, um país africano cuja língua oficial é o português. No entanto, a comunicação diária entre as ilhas é dominada pelo caboverdiano, ou crioulo cabo-verdiano, uma língua nascida da mistura do português com idiomas da costa da Guiné.
Durante o período colonial, mesmo com o português como idioma oficial, o crioulo teve papel fundamental, incluindo seu uso pelas instituições religiosas na catequização de escravizados. Hoje, o crioulo representa a identidade cultural do arquipélago, sendo a língua materna da maioria da população e presente nas expressões artísticas e afetivas.
Assim, enquanto o português permanece como língua da administração, educação e imprensa, o crioulo mantém viva a cultura e a história do povo cabo-verdiano.

