Manaus faz história como primeira cidade do Norte a sediar Copa

Em junho de 2014, Manaus entrou para o seleto grupo de cidades brasileiras que receberam partidas da Copa do Mundo da Fifa, tornando-se a primeira da Região Norte a sediar o evento. A capital amazonense atraiu milhares de turistas, movimentou a cidade e colocou a Amazônia no foco do cenário esportivo mundial.

Inauguração da Arena da Amazônia e os desafios antes da Copa

A Arena da Amazônia foi inaugurada em 9 de março de 2014, após quase quatro anos de obras, com investimento de R$ 669,5 milhões. Com capacidade para 44 mil torcedores, o estádio substituiu o antigo Estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão, e chamou atenção pela arquitetura inspirada nos grafismos indígenas e pela preocupação com sustentabilidade. Apesar disso, a construção foi marcada por atrasos e tragédias, já que três operários morreram durante as obras.

O jogo-teste reuniu cerca de 20 mil pessoas e reuniu times tradicionais, Nacional e Remo, mostrando que a cidade estava pronta para o Mundial. No entanto, projetos importantes para a mobilidade urbana, como o monotrilho e o sistema BRT, foram abandonados antes mesmo do início da competição, limitando o legado em infraestrutura.

O dia em que a Copa chegou à Amazônia

Em 14 de junho de 2014, a Arena da Amazônia recebeu seu primeiro jogo pela Copa: Itália e Inglaterra se enfrentaram diante de um estádio lotado. As ruas de Manaus se encheram de turistas de diversas nacionalidades, que aproveitaram para conhecer pontos turísticos como o Teatro Amazonas, o Largo São Sebastião e a Ponta Negra, além de desfrutar da culinária e hospitalidade local.

A expectativa pelo calor amazônico deu lugar à surpresa positiva dos visitantes, que elogiaram a receptividade da cidade. O empresário italiano Max Filippi, que viveu em Manaus por sete anos, resumiu o clima: “Quando saí do aeroporto, pensei: cheguei em casa”.

Festa nas arquibancadas e na cidade

O clima descontraído tomou conta das arquibancadas, com torcedores fantasiados de personagens como Mario e Luigi, além de grupos que improvisavam partidas nas proximidades da Arena. A Fifa Fan Fest, montada no Anfiteatro da Ponta Negra, reuniu shows nacionais e regionais às margens do Rio Negro, atraindo multidões para acompanhar os jogos e celebrar o evento.

Quatro jogos que marcaram a Copa em Manaus

Ao todo, a Arena da Amazônia recebeu quatro partidas da fase de grupos:

  • Inglaterra 1 x 2 Itália, em 14 de junho;
  • Camarões 0 x 4 Croácia, em 18 de junho;
  • Estados Unidos 2 x 2 Portugal, em 22 de junho;
  • Honduras 0 x 3 Suíça, em 25 de junho.

O confronto entre Estados Unidos e Portugal foi o mais intenso, com mais de 80 mil pessoas divididas entre o estádio, a Fan Fest e o Largo São Sebastião. A presença de turistas norte-americanos e portugueses exigiu um esquema de segurança reforçado, inclusive com a participação de agentes do FBI.

O jogo final em Manaus, Suíça 3 a 0 sobre Honduras, teve o maior público da Copa na Arena, com 40.322 torcedores, e foi considerado o dia mais tranquilo em termos de segurança.

Legados e recordações que permanecem uma década depois

A Copa de 2014 deixou marcas que ainda geram debates em Manaus. A Arena da Amazônia segue ativa, sendo palco de jogos locais, eliminatórias e eventos culturais, mas muitas promessas, como o monotrilho e o BRT, ficaram pelo caminho. O Aeroporto Eduardo Gomes passou por reformas parciais, com algumas obras concluídas só após o Mundial.

Apesar das controvérsias, o saldo afetivo é positivo para muitos amazonenses. Manaus recebeu o mundo, mostrou sua diversidade cultural e sua capacidade de sediar grandes eventos internacionais.

Doze anos depois, as imagens permanecem vívidas: a Arena iluminada pela primeira vez, o Hino Nacional ecoando na inauguração, turistas lotando o Centro Histórico, mergulhos no Rio Negro e o apito inicial do primeiro jogo de Copa no Norte do Brasil.

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Vive o esporte como quem lota arquibancada na Colina ou na Arena da Amazônia, ouve jogadores, torcedores e dirigentes e não foge de rodar a cidade atrás de boa história de vestiário. Nas reportagens, explica jogos, bastidores e decisões que mexem com o torcedor de Manaus e da região, sem perder de vista o que acontece fora de campo.

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