Futebol como elo entre Brasil e Haiti

A cada quatro anos, a Copa do Mundo reúne bilhões de torcedores em torno do futebol, o esporte que promove uma integração global sem igual. Entre os laços mais fortes formados por essa paixão está a conexão entre Brasil e Haiti, países que, apesar das diferenças e da distância, compartilham um vínculo especial através do futebol. Mais do que um jogo, o esporte representa para essas nações um canal de solidariedade, cultura e esperança.

Essa relação se manifesta não só nas arquibancadas, mas também no cotidiano de pessoas que vivem entre esses dois países, como é o caso do amazonense José Aurélio. Morador de Porto Príncipe há cinco anos, ele vive essa experiência de perto e conta como o futebol brasileiro é admirado e respeitado no Haiti, fortalecendo um elo que vai além das quatro linhas.

Torcida ativa só na Copa do Mundo

Apesar da pouca paixão pessoal pelo futebol, José Aurélio admite que, durante a Copa do Mundo, veste a camisa da seleção brasileira com orgulho. Sua rotina em Porto Príncipe é simples e focada no trabalho como técnico operacional em máquinas de fabricação de termoplásticos, mas o período do Mundial mexe com seu coração de brasileiro.

“Minha família torce para o Vasco, mas eu não sou muito fã de futebol no dia a dia. Na Copa, porém, tudo muda. É o momento que eu mais gosto de acompanhar e torcer pelo Brasil”, conta Aurélio. A experiência de acompanhar o Mundial de 2022 pela primeira vez fora do Brasil, em solo haitiano, foi marcante para ele. “Ver o amor que o povo haitiano tem pela nossa seleção e pela cultura brasileira me fez sentir em casa”, recorda.

O Jogo da Paz: futebol que uniu uma nação

A paixão haitiana pelo futebol brasileiro tem raízes históricas. Em 18 de agosto de 2004, o amistoso entre Brasil e Haiti em Porto Príncipe ficou conhecido como o “Jogo da Paz”. Em meio a uma guerra civil e violência urbana intensa, o encontro entre as seleções trouxe uma trégua de 90 minutos, proporcionando esperança e alegria para milhares de haitianos.

Naquele dia, craques como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos estiveram em campo, e a vitória brasileira por 6 a 0 ficou em segundo plano diante do impacto social que o evento causou. “Mais de 80% da população haitiana torce para o Brasil, e isso mostra o carinho e respeito que eles têm pelo nosso país”, destaca José Aurélio.

Histórico e festa pela classificação do Haiti para a Copa de 2026

O futebol continua escrevendo capítulos importantes na relação entre os dois países. O Haiti garantiu a classificação para a Copa do Mundo de 2026, uma conquista inédita desde 1974, e foi incluído no mesmo grupo do Brasil. Essa situação inédita promete um duelo que vai movimentar os corações dos dois lados.

José conta que a classificação foi recebida com festa e emoção em Porto Príncipe. “No dia da classificação, a cidade parou. As ruas ficaram cheias de gente comemorando, e até ponto facultativo foi decretado no dia seguinte”, relata. Esse momento reforçou para ele o papel do futebol como elemento de coesão social e celebração nacional.

Expectativa para o confronto Brasil x Haiti

Na próxima sexta-feira, 19 de junho, Brasil e Haiti se enfrentam na segunda rodada do grupo C da Copa do Mundo. José Aurélio afirma que, apesar da torcida pelo Brasil, seu sentimento ficará dividido. “Vou torcer pelo Brasil, mas meu coração vai ficar dividido, porque o Haiti me acolheu muito bem”, comenta. Ele aposta em uma vitória brasileira por 3 a 1.

Saudade da Amazônia e planos para o futuro

Em Manaus para férias, José aproveita para matar a saudade da família, da culinária local e dos pontos turísticos da capital amazonense. “Sinto falta do tambaqui, do açaí e da cultura rica da região”, afirma. Ele revela que ainda não tem planos de voltar para o Haiti, já que analisa uma proposta de trabalho no Paraguai e está trabalhando em Manaus atualmente.

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Vive o esporte como quem lota arquibancada na Colina ou na Arena da Amazônia, ouve jogadores, torcedores e dirigentes e não foge de rodar a cidade atrás de boa história de vestiário. Nas reportagens, explica jogos, bastidores e decisões que mexem com o torcedor de Manaus e da região, sem perder de vista o que acontece fora de campo.

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