Início da Copa do Mundo 2026 no Estádio Azteca
A maior edição da Copa do Mundo até hoje começa nesta quinta-feira com um cenário carregado de polêmicas e desafios. O tradicional Estádio Azteca, na Cidade do México, que comporta mais de 85 mil torcedores, será palco do jogo inaugural entre México e África do Sul, a partir das 16h (horário de Brasília). Este momento marca o pontapé inicial de um torneio que promete ser histórico, não apenas pela quantidade de seleções, mas também pelas tensões políticas e econômicas que envolvem o evento.
Formato ampliado e novos desafios competitivos
Após sete edições com 32 seleções, a Fifa, sob o comando de Gianni Infantino, ampliou o Mundial para 48 países, totalizando 104 partidas. Essa mudança atende a uma promessa de campanha do presidente da entidade e traz um novo formato com 12 grupos de quatro equipes cada. Além disso, o caminho para o título ficou mais longo, passando de sete para oito jogos para as seleções que avançarem até a final.
Na segunda fase, avançam os dois melhores de cada grupo e as oito melhores terceiras colocadas, totalizando 32 times que disputarão o mata-mata em jogos únicos. A definição dos confrontos envolve uma complexa matemática, com 495 combinações possíveis, e regras que impedem que equipes da mesma chave se enfrentem nesta fase. Essa dinâmica traz uma nova camada de estratégia e imprevisibilidade ao torneio.
Brasil e adversários no Grupo C
O Brasil, comandado por Carlo Ancelotti, está no Grupo C ao lado de Marrocos, Haiti e Escócia. A estreia da seleção pentacampeã acontecerá no sábado, às 19h, no MetLife Stadium, em East Rutherford, contra Marrocos, que foi semifinalista na Copa de 2022. Caso avance entre as duas primeiras posições, o Brasil enfrentará um adversário do Grupo F, formado por Holanda, Japão, Suécia e Tunísia, na segunda fase.
O MetLife Stadium também receberá a grande final da Copa, marcada para o dia 19 de julho. Ao todo, o Mundial será disputado em 16 estádios distribuídos entre Estados Unidos (11), México (3) e Canadá (2), refletindo a complexidade da organização desse evento em três países-sede.
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Eventos e homenagens na abertura
A cerimônia de abertura no Azteca incluirá homenagens às seleções campeãs de 1970 e 1986, além de shows com artistas renomados. Shakira, que é presença constante em Mundiais, volta a se apresentar acompanhada do cantor nigeriano Burna Boy. Outras celebrações marcam as estreias dos Estados Unidos, com participação especial da brasileira Anitta, e do Canadá, na sexta-feira.
No jogo inicial, o trio brasileiro de arbitragem formado por Wilton Pereira Sampaio, Bruno Pires e Bruno Boschilia estará em campo para aplicar as novas regras do futebol que buscam reduzir a cera e acelerar o ritmo das partidas, um teste importante para o Mundial.
Desafios logísticos e políticos da Copa tripla
Organizar a Copa em três países exigiu da Fifa um planejamento minucioso para equilibrar fusos horários e distâncias. As cidades foram divididas em três blocos regionais (leste, central e oeste) para minimizar deslocamentos entre os países. Contudo, há exceções, como a Espanha, que jogará duas vezes em Atlanta antes de se deslocar para Guadalajara, no México.
Os anfitriões enfrentam ciclos instáveis, mas apostam em avançar às fases eliminatórias. Entre os favoritos ao título, além dos atuais campeões europeus, França, Portugal, Inglaterra e Argentina, que busca o bicampeonato, ganham destaque. Brasil e Alemanha, com mais títulos, aparecem como candidatos secundários, enquanto seleções como Marrocos, Holanda, Japão, Senegal, Noruega, Bélgica e Croácia podem surpreender.
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Tensões políticas e desafios para as seleções
O clima político envolvendo os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, marca esse Mundial. Entre conflitos internacionais e ameaças de boicote, a delegação do Irã enfrentou dificuldades para obtenção de vistos, deslocamento da base de treinamento e será obrigada a fazer viagens de ida e volta entre os países-sede. Essa situação exigiu intervenção diplomática da Fifa para garantir a participação iraniana.
A deportação do árbitro somali Omar Artan, acusado de ligações com grupos terroristas, e a atuação rigorosa do Serviço de Imigração dos EUA (ICE) nas entradas das delegações também chamam atenção. Seleções e atletas têm enfrentado longas filas e inspeções rigorosas, dificultando o acesso ao país anfitrião.
Preços elevados e impactos para torcedores
Outro ponto polêmico são os preços dos ingressos, que variam conforme a demanda e têm sido criticados pelos torcedores. Um bilhete para a final chega a custar até R$ 170 mil, enquanto no mercado paralelo há revendas por valores milionários. O transporte até a final também sofreu aumento de preço, com tarifas de trem saltando de R$ 70 para R$ 800, embora tenha sido reduzido para cerca de R$ 500 após protestos. Para amenizar, o governo de Nova York disponibilizou ônibus escolares com tarifas acessíveis para os torcedores.
No México, a situação social também apresenta desafios. A região de Guadalajara vive uma onda de violência após a morte de um líder de cartel, e protestos de professores na Cidade do México têm causado bloqueios e derrubada de estátuas relacionadas à Copa.

