O Desgaste da Confiança na Ciência
Mesmo aqueles que sempre mantiveram uma postura crítica ao cientificismo rígido estão surpresos com a rapidez com que a confiança na metodologia científica vem se deteriorando. Não são apenas as fake news e as bolhas ideológicas que corroem os fundamentos científicos externamente; fissuras internas também se ampliam diante dos olhos da comunidade acadêmica e da sociedade.
O Papel da Inteligência Artificial na Manipulação Científica
Incentivos perversos para manipular dados e imagens sempre existiram, impulsionados pela competição por financiamentos e posições acadêmicas. Contudo, com o avanço da inteligência artificial, as fraudes científicas deixaram de ser feitas de forma artesanal e passaram a ser geradas em escala, dando origem ao que podemos chamar de uma reprodutibilidade generativa. Embora existam ferramentas técnicas aprimoradas para detectar fraudes, o crescimento acelerado do volume de publicações científicas supera a capacidade de monitoramento, seja por vigilantes humanos ou sistemas automatizados.
Grande parte desses trabalhos fraudulentos escapa do cancelamento. Mesmo os artigos retratados continuam circulando como “zumbis” — sendo citados em outros estudos e influenciando, especialmente na biomedicina, revisões sistemáticas que orientam práticas clínicas e políticas públicas.
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Revisões Sistemáticas e o Desafio dos Artigos “Zumbis” na Medicina
A medicina baseada em evidências considera a base Cochrane como referência máxima para objetividade científica. Revisões sistemáticas aprovadas pela Cochrane fundamentam consensos clínicos e diretrizes médicas. No entanto, uma auditoria interna revelou que quase 1% das 9.500 revisões contêm artigos que já foram retratados, os chamados “zumbis”. Agora, o desafio é identificar esses trabalhos e avaliar se eles comprometem as conclusões das revisões, o que pode afetar decisões clínicas e políticas de saúde pública.
Ideologia, Negacionismo e o Impacto no Clima e na Saúde Pública
Esse esforço de correção é um resquício de racionalidade diante do avanço de outras narrativas que minam o valor das evidências científicas. Políticas públicas e diretrizes clínicas acabam sendo definidas por convicções ideológicas, evidenciado durante a pandemia. Um paralelo pode ser traçado com a ciência do clima, onde o IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), referência equivalente à Cochrane, enfrenta ataques constantes de países como Arábia Saudita e Índia. Eles questionam as premissas e metas estabelecidas pelo Acordo de Paris, como o limite de 1,5ºC para o aquecimento global.
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Fonte: ocuiaba.com.br
Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde estima que, só na Europa, 200 mil mortes evitáveis ocorreram em quatro anos devido a ondas de calor intensas — um alerta claro sobre as consequências reais da descrença e da desinformação científica.
