Skamosa chega à comunidade do Nepal com programação diversificada

Reggae, graffiti, batalha de rima e atividades para toda a família vão animar a comunidade do Nepal, na zona Norte de Manaus, no próximo dia 18 de julho. A quinta edição da Skamosa, gratuita e aberta ao público, começa às 16h no Campo São Pedro, localizado na Avenida Nepal. Organizado pelo Coletivo Rudi, o evento reúne diversas expressões da cultura urbana, com o objetivo de aproximar arte, memória e comunidade.

Parceria fortalece projeto e amplia acesso cultural

Esta edição inaugura uma nova fase para o projeto, que pela primeira vez foi realizado em parceria com o Movimento Nepal Vive (MNV), organização que promove esporte, cultura, lazer e cidadania na região. Para a jornalista, DJ, produtora cultural e fundadora do Coletivo Rudi, Nico Ambrosio, essa união possibilitou ampliar as atividades e fortalecer a democratização do acesso à cultura.

“Essa edição é especial porque, com o apoio do Fundo Marielle Franco, conseguimos expandir o projeto e construí-lo em diálogo com um território periférico, incluindo uma programação voltada para crianças e famílias, além das apresentações musicais e artísticas que já promovemos regularmente”, destaca Nico.

Segundo a produtora, a parceria também ajuda a descentralizar iniciativas culturais, promovendo o acesso gratuito à arte em bairros que ainda recebem poucas ações desse tipo. “Ao mesmo tempo, a quinta edição da Skamosa reafirma o compromisso do coletivo de usar a cultura sound system e o reggae como ferramentas de encontro comunitário e direito à cidade”, acrescenta.

Música, arte e esporte na agenda do evento

Além do baile de reggae, a programação inclui DJs, MCs, toasters, graffiti ao vivo, batalha de rima, workshops, torneio de futebol e atividades para o público infantil.

“O reggae, a cultura sound system e o hip hop dialogam entre si e fazem parte da realidade de muitos jovens da periferia de Manaus, tornando o evento um espaço de encontro e troca da produção artística local. Temos DJs, MCs, grafiteiros e toasters, todos reunidos para apresentar seus trabalhos”, explica Nico.

Homenagem a personalidades negras do Amazonas

Este ano, a Skamosa presta tributo a duas figuras negras que marcaram a história do Amazonas: Helena Augusta Walcott, referência na luta pelo direito à moradia popular em Manaus, e o artista visual Hahnemann Bacelar, conhecido por retratar a cultura amazônica em suas obras.

Os artistas Riq e Soft criarão murais inspirados nos homenageados, enquanto intervenções durante o evento apresentarão ao público suas trajetórias e contribuições culturais e sociais para o estado.

“O principal objetivo do Coletivo Rudi é despertar a curiosidade do público para conhecer essas histórias, especialmente entre a juventude periférica, que pode se ver refletida nessas imagens para seus futuros”, afirma a fundadora do coletivo.

Preservar essas memórias também é uma forma de reconhecer a participação da população negra na construção da identidade amazônica. “Mais do que celebrar essas personalidades, queremos que suas histórias circulem nos espaços públicos e façam parte do cotidiano da cidade. Acreditamos que ocupar a rua é preservar a história e reconhecer as contribuições da população negra para a Amazônia”, completa Nico.

Skamosa: muito além da música

Concebida para difundir a cultura sound system em Manaus, a Skamosa transforma ruas, praças e espaços públicos em locais de convivência por meio da arte. Para quem participa pela primeira vez, a expectativa do coletivo é que a experiência ultrapasse a programação musical e fortaleça o vínculo entre artistas e comunidade.

“O reggae e a cultura sound system são o ponto de partida para promover a convivência, valorizar artistas locais e reafirmar que a cultura deve estar presente em todos os territórios da cidade, especialmente nas periferias”, conclui Nico.

Origem e impacto da cultura sound system

A cultura sound system nasceu nas periferias da Jamaica na década de 1940, a partir de festas de rua organizadas em torno de grandes sistemas de som, conhecidos como paredões. Criada como alternativa de lazer para populações com pouco acesso a clubes privados, essa cultura se espalhou pelo mundo, tendo o reggae jamaicano como sua principal expressão. Hoje, é um movimento cultural de forte protagonismo das periferias e das populações negras e indígenas.

Compartilhar.
Exit mobile version