Energia solar substitui diesel e promove desenvolvimento em comunidade indígena

Depois de décadas dependendo do diesel para gerar energia, a Comunidade Indígena Três Unidos, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, no Amazonas, agora conta com energia limpa e contínua 24 horas por dia. A inauguração da Usina Solar nesta sexta-feira (22) marca uma mudança significativa para cerca de 45 famílias que vivem na região. Essa transformação não só garante o abastecimento constante, mas também fortalece atividades essenciais ligadas ao Turismo de Base Comunitária (TBC), além de impactar diretamente a geração de renda, a educação, a saúde e a qualidade de vida da população local.

A instalação da usina foi possível graças à parceria entre a Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema), o Ministério Federal da Alemanha para o Meio Ambiente, por meio da Internacional Climate Initiative (IKI) e da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), com a implementação da Fundação Amazônia Sustentável (FAS). A empresa Solalux ficou responsável pela montagem do sistema solar, que agora alimenta 50 residências e seis empreendimentos comunitários, incluindo escolas, posto de saúde, centro social, igreja e o Núcleo de Inovação e Educação para o desenvolvimento sustentável (Nieds) Assy Manana.

Redução do uso de combustíveis fósseis e benefícios práticos

Com a nova usina, a comunidade evita o consumo de mais de 35 mil litros de diesel por ano, o que reduz a emissão de cerca de 111 toneladas de CO₂ anualmente. Essa diminuição tem impacto direto na conservação da floresta e na melhoria da qualidade ambiental local. Para o tuxaua e líder da comunidade, Waldemir Kambeba, a chegada da energia limpa representa uma transformação histórica. Ele destaca que o benefício vai além do conforto de ter televisão, pois atende necessidades reais como o fortalecimento da saúde e da educação, o apoio ao empreendedorismo e às artesãs, além de melhorar a rotina diária, por exemplo, ao eliminar a necessidade de salgar alimentos para conservá-los nas escolas.

“É um sentimento de sonho realizado e muita gratidão. Desde dezembro, a energia que chegou à nossa comunidade vem transformando vidas e trazendo mais felicidade para o povo Kambeba”, afirma Waldemir. A energia solar, portanto, não apenas substitui uma fonte poluente, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável e autônomo da comunidade.

Impulso para o turismo e negócios locais

Um dos setores que mais se beneficia com o acesso constante à energia limpa é o turismo de base comunitária, que atrai visitantes interessados em experiências culturais, gastronomia tradicional e contato com a floresta. Com o funcionamento da usina solar 24 horas, restaurantes, pousadas, espaços de venda de artesanato e centros comunitários operam com mais segurança e qualidade.

Neurilene Kambeba, empreendedora responsável pelo Restaurante Sumimi, ressalta como a energia contínua melhora toda a cadeia produtiva do turismo local. Além de garantir a conservação adequada dos alimentos, a energia permite refrigerar bebidas e ingredientes, reduzir perdas e ampliar a capacidade de atendimento, fortalecendo o negócio e a economia da comunidade.

Estratégia para desenvolvimento sustentável na Amazônia

Para a superintendente-geral adjunta da FAS, Valcléia Lima, levar energia limpa para comunidades tradicionais é fundamental para promover autonomia, qualidade de vida e oportunidades sustentáveis. Ela destaca que o acesso à energia impacta diretamente áreas essenciais como educação, saúde, comunicação e geração de renda, respeitando sempre os modos de vida e o protagonismo das comunidades.

“Investir em energia solar em territórios remotos é garantir desenvolvimento sustentável e fortalecer as bases econômicas locais”, afirma Valcléia, reforçando o papel da iniciativa para consolidar um modelo de produção e consumo mais equilibrado na região amazônica.

Cooperação internacional fortalece soluções para a Amazônia

A implementação da usina solar na Comunidade Indígena Três Unidos também ilustra a importância da cooperação entre poder público, organizações da sociedade civil, comunidades tradicionais e parceiros internacionais. Jens Treffner, representante da IKI, enfatiza que a parceria une a experiência local da FAS com o conhecimento internacional em mitigação de gases de efeito estufa e conservação florestal, resultando em soluções práticas e adaptadas à realidade amazônica.

“Energia limpa na Amazônia representa dignidade, autonomia e oportunidade para que as comunidades escolham seus caminhos de desenvolvimento”, conclui Valcléia Lima. Esse avanço traz impactos concretos na renda, produção, emprego e conservação ambiental, refletindo diretamente no cotidiano e nas perspectivas econômicas da população do Três Unidos.

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Entender como o dinheiro circula entre o comércio da esquina, as indústrias do Distrito Industrial e o bolso de quem vive em Manaus guia a rotina de apuração de Patrícia Monteiro. Ela percorre bairros, conversa com quem empreende e cruza dados para mostrar, em linguagem direta, o que cada decisão econômica muda no preço, na renda e nas chances de negócio do leitor.

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