Rios como eixo central da mobilidade urbana em Manaus
Manaus iniciou um debate inovador para transformar sua mobilidade ao integrar os rios da cidade ao transporte urbano. Essa proposta é o núcleo do projeto “mobilidade 360”, lançado pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). O objetivo é construir um modelo de transporte que dialogue diretamente com a geografia amazônica, valorizando os recursos naturais e reduzindo a dependência do transporte terrestre.
Segundo César Tadeu Teixeira, diretor-presidente do Sinetram, a capital amazonense tem um rio que circunda toda a cidade, mas ainda não aproveita esse potencial para transportar passageiros. “Somos uma cidade que bate no rio e volta”, resumiu durante o lançamento do projeto, destacando como a mobilidade atual não corresponde às características naturais da região.
Integrando modais para ampliar a mobilidade em Manaus
O Mobilidade 360 surge como uma plataforma contínua para discussão e planejamento urbano, reunindo empresários, entidades civis, especialistas e o poder público. A ideia central é integrar ônibus, transporte aquaviário, bicicletas, carros e tecnologia, criando um sistema multimodal que reflita a realidade de uma cidade cercada por rios.
Além de ampliar o uso das hidrovias, o projeto aposta em modernização tecnológica e integração tarifária. Um dos planos é aprimorar o cartão PassaFácil, transformando-o numa plataforma multifuncional que permita integração entre modais, cashback e parcerias comerciais. A inteligência artificial também será empregada para cruzar dados e gerar diagnósticos precisos sobre o trânsito e o transporte coletivo, com foco em eficiência e qualidade.
“Queremos que Manaus se destaque pela qualidade no serviço público, com menos congestionamento, menos carros nas ruas, menos poluição e mais qualidade de vida”, afirmou César Tadeu.
Articulação inédita entre setores em prol da mobilidade
O lançamento do Mobilidade 360 contou com a presença de representantes da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus, da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas, da Associação Comercial do Amazonas e lideranças comunitárias. Essa convergência de interesses representa uma articulação rara no debate sobre transporte urbano na capital, sinalizando um esforço conjunto para mudanças estruturais.
Desafios e limites do transporte metroviário para Manaus
No evento, especialistas também avaliaram propostas como metrô subterrâneo ou de superfície para Manaus, modelos ainda distantes da realidade financeira e estrutural da cidade. “Nossa prioridade é trabalhar com a realidade local, aproveitando os rios e combinando diferentes modais”, afirmou César Tadeu.
Ele reforçou que o foco está em soluções viáveis e adequadas ao ambiente amazônico, evitando a importação de modelos conceituais de grandes centros urbanos brasileiros que não se encaixam na dinâmica local.
Próximos passos para consolidar o Mobilidade 360 em Manaus
O principal desafio agora é transformar o debate em ações concretas e permanentes. O Sinetram reconhece que a continuidade do projeto dependerá da articulação política, do financiamento adequado e da adesão da sociedade. “Precisamos trabalhar para garantir que esse projeto avance e se mantenha”, concluiu César Tadeu.

