A definição do segundo turno e a disputa pelos votos da terceira via
Com a confirmação do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), marcado para 25 de outubro, cresce a atenção para o destino dos aproximadamente 9,3 milhões de votos dos demais candidatos que participaram do primeiro turno. Flávio liderou com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,16%, configurando a disputa mais acirrada desde a redemocratização, em 1989.
Na chamada terceira via, Augusto Cury (Avante) conquistou 2,89% dos votos, Renan Santos (Missão) ficou com 2,24% e Ronaldo Caiado (PSD) obteve 2,18%. Outros candidatos, como Romeu Zema (Novo), Samara Martins (UP) e Hertz Dias (PSTU), tiveram desempenho inferior a 0,3%, totalizando 7,79% dos votos válidos, o menor índice desde 2006 para esta categoria.
Posicionamentos e apoios pós-primeiro turno
Após o resultado, Cury, Renan e Caiado mantiveram neutralidade e não indicaram apoio a nenhum dos candidatos para o segundo turno. Renan Santos, por meio de vídeo no YouTube, afirmou que não orientará seu eleitorado a votar em ninguém, nem mesmo a anular o voto, destacando que considera a eleição como da figura de Flávio Bolsonaro.
Em contrapartida, Romeu Zema declarou apoio a Flávio Bolsonaro, ressaltando sua rejeição ao PT e ao governo de Lula. Ronaldo Caiado recebeu Flávio em Goiânia, no espaço que já foi comitê central da campanha do MDB, acompanhado do atual governador Daniel Vilela (MDB). Após o encontro, é aguardada uma declaração conjunta, o que pode indicar avanço na articulação política para o segundo turno.
Especialistas e pesquisas indicam tendência de migração de votos
A cientista política Cila Schulman, CEO do grupo Ideia, avaliou que a migração de votos tende a favorecer Flávio Bolsonaro. Segundo ela, o eleitorado de Lula está restrito ao campo da esquerda, o que dificulta a captação de votos da terceira via, especialmente diante da ausência de aliados tradicionais em seu campo, como Ciro Gomes ou Marina Silva.
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Além disso, Schulman destaca que eleitores de Renan, Zema e Caiado geralmente não aprovam o governo Lula, tornando mais provável a transferência para Flávio Bolsonaro. Essa análise é corroborada por pesquisas recentes, como a Quaest, que indicam que a maior parte dos eleitores desses candidatos tende a migrar para o candidato do PL no segundo turno.
Detalhamento da transferência de votos segundo pesquisa Quaest
De acordo com levantamento divulgado antes do primeiro turno, 34% dos eleitores de Augusto Cury escolheriam Flávio, contra 23% que optariam por Lula. Entre os eleitores de Renan Santos, 60% migrariam para Flávio, enquanto apenas 11% votariam em Lula. Já os de Ronaldo Caiado teriam 43% para Flávio e 19% para Lula.
É expressiva ainda a parcela de eleitores que pretendem votar branco, nulo ou não comparecer ao pleito no segundo turno: 41% entre eleitores de Cury, 27% no caso de Renan e 36% entre os de Caiado. O percentual de indecisos soma 2% nesses grupos.
Comparativo com a eleição presidencial de 2022
Em 2022, Lula enfrentou situação semelhante ao disputar o segundo turno contra Jair Bolsonaro (PL). Naquele pleito, cerca de 10 milhões de votos da terceira via foram divididos entre os dois candidatos: 7 milhões migraram para Bolsonaro e 3 milhões para Lula. Apesar dos apoios políticos que Lula recebeu após o primeiro turno, a transferência de votos favoreceu mais seu adversário.
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Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) foram os principais candidatos da terceira via em 2022, com 8,5 milhões de votos somados. Tebet declarou apoio a Lula, enquanto Ciro manteve posição mais reservada. Pesquisas indicavam que Lula seria beneficiado por esses votos, mas o resultado das urnas mostrou que Bolsonaro teve ganhos superiores.
Início da campanha e próximos passos para o segundo turno
A campanha do segundo turno começou oficialmente em 5 de outubro e seguirá até 24 de outubro. Esta fase será marcada pelos primeiros debates entre Lula e Flávio, que não participaram de confrontos antes do primeiro turno. Estão programados debates nos dias 11, 18 e 23 de outubro, transmitidos por diferentes emissoras de televisão.
No segundo turno, ambos os candidatos contarão com o mesmo tempo de propaganda em rádio e TV, o que pode influenciar diretamente na consolidação dos votos migratórios da terceira via e na mobilização do eleitorado.
A disputa promete ser decisiva para o rumo político do país nos próximos anos, com os movimentos dos candidatos e suas estratégias de atração dos eleitores de Cury, Renan, Caiado e demais terceiros colocados sendo determinantes para o resultado final.

