Perdas Políticas no Amazonas Após Troca de Mandatos
Manaus (AM) testemunhou um efeito notório nas eleições de 2026, onde representantes políticos que abandonaram cargos já conquistados para concorrer a outras posições acabaram sem mandato ao final do pleito. Entre eles, Roberto Cidade, David Almeida, Wilson Lima, Tadeu de Souza e Capitão Alberto Neto se destacam por abrir mão — ou não tentarem manter — suas funções para disputar novos mandatos.
Roberto Cidade e a Tentativa Frustrada pela Permanência no Governo
Roberto Cidade, filiado ao União Brasil, deixou de buscar a reeleição como deputado estadual para entrar na corrida pelo Governo do Amazonas. Em abril, após as renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza, ele assumiu interinamente o Executivo estadual como presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Logo em maio, foi oficialmente escolhido pela Aleam para concluir o mandato até o fim de 2026.
Nas urnas do último domingo, Cidade tentou garantir a continuidade no cargo, mas terminou em terceiro lugar com 21,91% dos votos válidos, atrás de Omar Aziz e Maria do Carmo, que avançaram ao segundo turno. Esse resultado marca um fato inédito na história recente do Estado: ele foi o primeiro governador em exercício a disputar a permanência e ficar fora do segundo turno desde a redemocratização, conforme levantamento do Portal AM1.
Sem mandato eletivo garantido a partir de 2027, Cidade dependerá de futuras disputas eleitorais para retornar à política institucional.
David Almeida e o Impacto no Projeto Político Familiar
Na esfera municipal, David Almeida (Avante) renunciou ao cargo de prefeito de Manaus, conquistado na reeleição de 2024, em março de 2026 para concorrer ao Governo do Amazonas. O vice-prefeito Renato Júnior assumiu a Prefeitura após sua saída.
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A candidatura de David não avançou para o segundo turno, ficando em quarto lugar com 10,54% dos votos, atrás de Omar Aziz, Maria do Carmo e Roberto Cidade. Além da derrota pessoal, a família Almeida sofreu impacto no cenário político: Aryel Almeida não conseguiu uma cadeira na Câmara dos Deputados, e Daniel Almeida não renovou o mandato na Aleam.
Após o resultado, David Almeida reconheceu a decisão das urnas e agradeceu aos seus eleitores pelo apoio.
Wilson Lima e a Renúncia Sem Sucesso na Disputa ao Senado
Wilson Lima, também do União Brasil, foi reeleito governador em 2022 para o segundo mandato, mas, impedido de buscar um terceiro mandato consecutivo, renunciou em 4 de abril para disputar uma das duas vagas do Amazonas no Senado. Na mesma data, o vice-governador Tadeu de Souza também deixou o cargo, abrindo espaço para a eleição indireta que colocou Roberto Cidade no comando do Estado.
Wilson terminou em quarto lugar na disputa pelo Senado, com 11,89% dos votos. Eduardo Braga e Plínio Valério conquistaram as duas vagas disponíveis, enquanto Capitão Alberto Neto ficou em terceiro.
Assim, Wilson Lima encerra 2026 sem mandato governamental e sem a cadeira no Senado para o próximo mandato.
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Tadeu de Souza e a Escolha Pela Câmara Federal
Vice-governador, Tadeu de Souza poderia ter assumido o Governo após a renúncia de Wilson Lima, mas optou por renunciar e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Com 62.903 votos, ele ficou como suplente na federação União Progressista, que elegeu representantes para as oito vagas do Amazonas.
Com isso, Tadeu encerra 2026 sem mandato eletivo para 2027.
Capitão Alberto Neto e a Perda da Vaga no Senado
Capitão Alberto Neto (PL) foi reeleito deputado federal em 2022, com a segunda maior votação do Amazonas — 147.846 votos. Em 2026, decidiu concorrer a uma das duas vagas ao Senado, deixando de disputar a Câmara.
Durante a apuração, chegou a ocupar a segunda colocação, mas foi ultrapassado por Plínio Valério, que garantiu a segunda vaga ao Senado. No resultado final, Alberto Neto ficou em terceiro, com 23,66%, e fora do Senado.
Conclusão: Estratégias Políticas e Consequências nas Urnas
Embora as trajetórias e disputas tenham ocorrido em diferentes níveis e contextos, o denominador comum entre os cinco políticos é claro: a decisão de abrir mão ou não disputar os mandatos anteriores não se traduziu em vitória nas novas candidaturas. Esse fenômeno revela a complexidade do cenário eleitoral no Amazonas e os riscos envolvidos em estratégias políticas que buscam ampliar o poder às custas de posições consolidadas.

