O Mundial de 2026 e a torcida da Amazônia pelo Brasil

Desde 11 de junho, o mundo inteiro está voltado para a Copa do Mundo de 2026, a maior competição de futebol do planeta. Com 48 seleções em campo, o torneio reúne bilhões de torcedores que vibram por suas nações na busca pelo título mais cobiçado do esporte. Entre esses fãs, milhares de brasileiros espalhados pelo mundo aproveitam o Mundial para resgatar suas raízes e reforçar a torcida verde e amarela pela Seleção Brasileira, que almeja o hexacampeonato.

Nesse contexto, o Portal Amazônia lança a série especial “Amazônia na Copa”, abordando as histórias de brasileiros nascidos na Amazônia Legal que vivem nos países adversários do Brasil na fase de grupos do Mundial: Marrocos, Haiti e Escócia.

Paula Pereira: da Manaus à Cidade Vermelha de Marrocos

Na primeira reportagem da série, Paula Pereira, natural de Manaus, compartilha sua trajetória de mais de uma década em Marrakech, a famosa cidade marroquina. Aos 67 anos, a empresária conta como é torcer pela Seleção Brasileira em meio à apaixonada torcida local e revela o que mais sente falta do Amazonas e suas tradições enquanto vive no continente africano.

Paula iniciou sua relação com Marrocos em 2014. Apaixonada por turismo, ela trabalhava como servidora pública e também administrava um hostel. A experiência a levou a se aposentar para se dedicar integralmente ao país conhecido como a porta de entrada da África.

“Depois da aposentadoria, criei uma agência focada em turismo para brasileiros. Essa vivência despertou meu desejo de conhecer Marrocos mais profundamente”, explicou Paula ao Portal Amazônia.

Ela enfrentou uma jornada de mais de 7 mil quilômetros entre Manaus e Marrakech para fixar residência na Cidade Vermelha, onde hoje comanda uma agência especializada em roteiros personalizados para turistas brasileiros. Com guias locais que falam português, espanhol e inglês, a agência atende famílias, casais e grupos, contabilizando mais de cinco mil atendimentos.

Torcida dividida: Brasil e Marrocos em campo

Além do turismo, o futebol é um dos hobbies que acompanham Paula desde a infância. Torcedora do Botafogo, ela intensifica sua paixão pelo esporte durante a Copa do Mundo. No entanto, torcer pelo Brasil em solo marroquino apresenta desafios, já que o país africano possui uma torcida fervorosa e uma seleção em ascensão.

“Eu gosto muito de futebol e sempre acompanho a Seleção Brasileira. Mas aqui não posso torcer com muita euforia, pois a torcida marroquina é muito apaixonada. Apesar da boa relação diplomática entre os países, no futebol a rivalidade é acirrada”, relata Paula.

O amor pelo futebol dos marroquinos cresceu ainda mais após a Copa de 2022, quando a seleção local alcançou o quarto lugar, um feito histórico. Marrocos participa do Mundial de 2026 pela terceira vez consecutiva, consolidando-se como uma das potências emergentes do futebol mundial.

Paula lembra que, após a eliminação do Brasil em 2022, chegou a torcer por Marrocos, vivendo uma experiência eletrizante na cidade. Ela destaca o goleiro Bonno como um dos seus jogadores favoritos e ressalta o respeito mútuo entre as duas seleções e suas torcidas.

Expectativas para o duelo Brasil x Marrocos

Para o Mundial deste ano, Paula afirma que sua torcida principal será pelo Brasil, mas não esconde a admiração pela seleção marroquina. Sobre o confronto entre as equipes na estreia do Mundial, marcado para 13 de maio em Nova Jersey, Estados Unidos, a amazonense já tem um palpite:

“Sem dúvida, vou torcer pelo Brasil. Mas se o Marrocos vencer, não ficarei triste, pois eles têm um time muito forte. Acho que será uma partida difícil e arrisco um placar de 2 a 1 para o Brasil.”

Saudades da Amazônia e retorno à Manaus

Apesar da experiência internacional, Paula revela sentir falta da sua terra natal. Há 12 anos em Marrocos, ela retorna anualmente a Manaus para matar a saudade da família e da culinária regional.

“Depois da família, o que mais sinto falta são as chuvas, que aqui são raras. Também sinto saudade do peixe, das cachoeiras, dos igarapés, do tucumã, da floresta amazônica, do meu boi Garantido, do termo ‘mana’, das maritacas e claro, do x-caboquinho”, enumera a amazonense.

O intenso calor marroquino, que pode ultrapassar 40ºC entre junho e setembro, também motiva suas visitas à capital amazonense. Desta vez, Paula passará quatro meses em Manaus, onde acompanhará a Copa do Mundo junto à família no bairro Parque Dez de Novembro.

“Vou visitar minhas filhas e netas, tomar banho de cachoeira e comer uma caldeirada de tambaqui assim que chegar”, comemora.

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Vive o esporte como quem lota arquibancada na Colina ou na Arena da Amazônia, ouve jogadores, torcedores e dirigentes e não foge de rodar a cidade atrás de boa história de vestiário. Nas reportagens, explica jogos, bastidores e decisões que mexem com o torcedor de Manaus e da região, sem perder de vista o que acontece fora de campo.

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