Crescimento expressivo do setor de termoplásticos em Manaus
O subsetor de termoplásticos em Manaus registrou um faturamento aproximado de R$ 17,7 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, conforme dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Esse valor representa um aumento nominal de quase 33% em relação aos R$ 13,3 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Com participação próxima a 10,7% no faturamento total do Polo Industrial de Manaus (PIM), o segmento figura entre os cinco maiores da região.
Embora o crescimento seja significativo, sua análise exige cautela para orientar investimentos e estratégias de desenvolvimento industrial. O aumento na receita demonstra a dimensão econômica conquistada, mas não revela a origem exata desse avanço nem se ele será sustentável ao longo do tempo.
Dinâmica dos termoplásticos e sua relação com a indústria local
Termoplásticos são materiais que amolecem quando aquecidos e podem ser moldados em diferentes formatos, sendo usados em embalagens, carcaças, peças técnicas e componentes variados. A diversidade de aplicações conecta o setor a outras indústrias; o crescimento na produção de bens que utilizam peças plásticas costuma gerar demanda para fornecedores desses materiais.
Em Manaus, essa relação fica evidente. A produção de motocicletas, motonetas e ciclomotores avançou cerca de 10,8% no período, enquanto a fabricação de celulares cresceu 9,2% e a de micro-ondas, 16,8%, segundo a Suframa. Esses números indicam um aquecimento do parque industrial local, embora não seja possível atribuir exatamente quanto cada atividade contribuiu para o crescimento do setor de termoplásticos.
Contexto de demanda e mercado nacional
O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) reforça esse cenário, destacando que o segmento de duas rodas opera próximo à capacidade máxima diante de um mercado firme, além de evidenciar o desempenho positivo nos setores de informática e eletrônicos. Esses fatores ajudam a explicar parte das oportunidades para fornecedores locais, mas não justificam sozinhos o resultado dos termoplásticos em Manaus.
Dados da Suframa mostram que cerca de 86% do faturamento do subsetor termoplástico é destinado ao mercado nacional, aproximadamente 14% ao mercado regional e menos de 0,1% às exportações. No que diz respeito à aquisição de insumos, cerca de 59% das compras vêm do exterior, o que reforça a necessidade de considerar conexões internacionais na análise do setor.
Leia também: Guia Salarial 2027: Descubra os Salários em Manaus com Remunerações de até R$ 14,4 mil
Leia também: Boi Manaus 2026: Programação Gratuita Anima Manaus com Cultura e Música
Desafios para a competitividade e expansão
O mercado brasileiro de termoplásticos apresenta um quadro com oportunidades, mas também forte concorrência. Segundo o Perfil Abiplast 2026, a produção nacional de transformados plásticos atingiu cerca de 7,6 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 1,3%. O consumo aparente cresceu 1,6%, enquanto as importações avançaram 20% em volume, indicando que parte do mercado brasileiro é abastecida por produtos estrangeiros.
Embora os dados do Amazonas envolvam faturamento e os dados nacionais, produção física, não sejam diretamente comparáveis, o cenário nacional demonstra que o aumento do consumo não se traduz automaticamente em maior espaço para fabricantes brasileiros. Além disso, a receita pode refletir variações em preços, volumes ou composição dos produtos, o que demanda informações mais detalhadas para compreensão completa do crescimento.
Iniciativas locais e potencial de inovação
A indústria termoplástica engloba atividades que vão desde a transformação de resinas até a engenharia de moldes e recuperação de materiais. Empresas como a Masa Molds & Plastics, fundada em 1978 em Manaus, ilustram a trajetória do setor no Amazonas, atendendo segmentos como duas rodas, eletrônicos e linha branca.
Outro exemplo é a Tutiplast, que há mais de 30 anos vem incorporando biocompósitos com fibras amazônicas, como ouriço da castanha e curauá, em busca de alternativas de menor impacto ambiental. A Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) destaca essa iniciativa como um avanço que aproxima a indústria local das matérias-primas regionais e abre espaço para pesquisa e desenvolvimento.
Na área de reciclagem, a Halboor atua na recuperação de materiais plásticos, realizando a moagem em Manaus e enviando parte do material para São Paulo. Isso demonstra a complexidade da cadeia produtiva, que envolve preparação e circulação de matérias-primas recuperadas.
Competitividade, logística e sustentabilidade
Atender clientes em diferentes regiões exige das empresas no Amazonas combinar preço competitivo, qualidade e regularidade nas entregas. A proximidade com algumas montadoras facilita o relacionamento industrial, mas as vendas para outras regiões colocam a logística no centro da competitividade, especialmente considerando os desafios da navegação em períodos de estiagem.
Leia também: TOTVS amplia operação em Manaus com foco na digitalização das empresas locais
Leia também: Ibovespa dispara 9,1% e Petrobras salta 9% após primeiro turno das eleições
Além disso, a dependência de insumos importados expõe o setor a variações cambiais e condições do abastecimento internacional. A capacitação técnica ganha importância, com a necessidade de desenvolver peças, aperfeiçoar moldes, reduzir desperdícios e atender a especificações rigorosas. Isso requer profissionais qualificados, investimento em automação e parcerias com universidades e instituições de pesquisa.
Agenda para circularidade e desenvolvimento sustentável
A circularidade é parte fundamental da agenda do setor. Em 2025, o Brasil produziu cerca de 1,1 milhão de toneladas de resinas recicladas pós-consumo, frente a uma capacidade instalada de 2,4 milhões de toneladas, segundo a Abiplast. A diferença indica espaço para ampliação, embora haja entraves relacionados à coleta, triagem, qualidade e competitividade dos materiais reciclados.
No Amazonas, a viabilidade desses Negócios depende ainda da proximidade entre pontos de geração, processamento e consumo dos materiais, bem como da regularidade do transporte. A integração entre recuperação de resíduos e desenvolvimento de produtos pode gerar novos negócios, desde que assegurada a oferta consistente e o atendimento às especificações técnicas.
Impactos econômicos e sociais no Amazonas
O avanço do setor de termoplásticos deve ser acompanhado não apenas pela receita, mas também pela capacidade de conquistar mercados, formar profissionais e gerar empregos qualificados. Até agosto de 2026, o subsetor empregava em média 15,8 mil trabalhadores, entre efetivos, temporários e terceirizados, segundo a Suframa, destacando sua relevância para a indústria local.
O crescimento no faturamento não permite, entretanto, determinar o quanto decorre de ganhos de produtividade, aumento da produção ou elevação de preços. Para o Amazonas, o desafio está em transformar esse desempenho em qualificação, fortalecimento da cadeia produtiva e ampliação das oportunidades de trabalho.
Fortalecer a cadeia produtiva requer que as empresas convertam períodos favoráveis de vendas em ganhos duradouros em tecnologia, produtividade e empregos qualificados. O desenvolvimento do setor termoplástico precisa ampliar o conhecimento técnico, fortalecer fornecedores locais e aumentar o valor econômico que permanece no estado.

