Painel em Manaus destaca influência digital nas eleições
O projeto Amazônia Que Eu Quero realizou, nesta quinta-feira (23), em Manaus, o último painel presencial da edição 2026. O encontro teve como tema “Democracia na era digital: como as novas tecnologias influenciam o seu voto?” e reuniu especialistas para discutir o impacto da inteligência artificial, dos algoritmos, das redes sociais e da desinformação na formação da opinião pública, no acesso à informação e no processo democrático.
O debate aconteceu no Centro de Convenções Vasco Vasques, dentro da programação do Digital Summit Experience (DSX) 2026, com transmissão ao vivo pelo g1 Amazonas.
Participantes e mediação
Estiveram presentes a juíza auxiliar da Presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e presidente da Comissão de Enfrentamento à Desinformação, Mônica Câmara do Carmo; o diretor da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e especialista em Inteligência Artificial e Cibersegurança, Jucimar Maia da Silva Jr.; e o advogado, professor e presidente da Comissão de Relações Internacionais da OAB Amazonas, Helso do Carmo Ribeiro Filho. A mediação ficou por conta da jornalista e coordenadora do Amazônia Que Eu Quero, Ruthiene Bindá.
Encerramento e relevância do tema
Mariane Cavalcante, diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, ressaltou que este painel encerra os encontros presenciais do projeto, abordando um assunto cada vez mais presente na vida da população.
“Esse é o último evento presencial do Amazônia Que Eu Quero. Ao longo da edição discutimos temas estruturantes para a nossa região e encerramos falando sobre um assunto que faz parte da realidade de todo mundo: como as novas tecnologias influenciam a democracia e o nosso dia a dia”, afirmou.
Desinformação e papel do eleitor
Durante o debate, a juíza Mônica Câmara do Carmo destacou que a disseminação de informações falsas não é uma novidade, mas ganhou velocidade com o avanço das tecnologias e das redes sociais.
“Fake news, desde que o mundo é mundo, sempre existiu. Uma mentira contada muitas vezes torna-se verdade. Hoje, para qualquer lugar que se vá, tem um celular, e por ele chegam notícias que podem ser verdadeiras ou não.”
A magistrada enfatizou a responsabilidade do eleitor no combate à desinformação, incentivando a checagem das informações antes de compartilhá-las.
“O eleitor precisa ir atrás, checar e verificar se é verdade ou não. Na dúvida, eu não repasso a informação.”
Ela também lembrou que a Justiça Eleitoral oferece ferramentas para identificar conteúdos falsos.
“Nós dispomos de algumas ferramentas, como o Pardal e o Serviço de Alerta de Desinformação. Basta acessar o site do TRE para utilizar esses canais.”
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Fonte: edemossoro.com.br
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Fonte: acreverdade.com.br
Além disso, ressaltou a importância da confiança nas instituições públicas, especialmente durante o período eleitoral.
“A presença do Ministério Público e do juiz é muito importante. Se a população não confiar nas instituições, o processo democrático perde força.”
Sobre a participação popular, a juíza encorajou o voto consciente.
“A questão do voto em branco… não seja omisso. Se não der certo, não vote novamente no mesmo candidato.”
Algoritmos, inteligência artificial e engajamento
O especialista em Inteligência Artificial e Cibersegurança Jucimar Maia da Silva Jr. explicou que as redes sociais utilizam algoritmos para direcionar conteúdos baseados no comportamento dos usuários.
“As redes sociais são máquinas de vender produtos. Quando se lança uma fake news para atingir determinado candidato, existe toda uma estratégia para convencer o eleitor a acreditar nisso.”
Ele destacou que o algoritmo visa gerar engajamento.
“O objetivo do algoritmo é provocar engajamento. Quando você curte um vídeo, essa informação é interpretada pela plataforma, que passa a entregar conteúdos semelhantes. O processo começa amplo e vai se fechando, mostrando praticamente apenas aquilo de que você gosta.”
O pesquisador alertou também para o impacto psicológico das plataformas digitais.
“Esse tipo de engajamento psicológico acaba colocando o usuário dentro de um grupo.”
Quanto ao futuro da tecnologia nas eleições, Jucimar acredita que os serviços digitais irão se ampliar.
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Fonte: decaruaru.com.br
“Daqui a dez anos, acredito que será possível votar até pela internet. O que não podemos é retroceder em todo o processo de transformação tecnológica.”
Ele apontou a inclusão digital como um dos maiores desafios na Amazônia.
“Precisamos disponibilizar uma internet mais poderosa. O interior do Amazonas enfrenta muitas dificuldades. O grande desafio é levar conectividade e capacitar os nossos jovens para que possam votar de forma ainda mais consciente no futuro.”
Bolhas digitais e pensamento crítico
O advogado e professor Helso do Carmo Ribeiro Filho ressaltou que os algoritmos também criam as chamadas bolhas digitais, que podem restringir o acesso a diferentes pontos de vista.
“Muitas vezes, as bolhas são caminhos para a desinformação.”
Ele sugeriu o uso da tecnologia para ampliar o acesso a informações confiáveis.
“Já observamos ferramentas digitais que podem ser utilizadas para buscar mais transparência. Cabe a todos nós furarmos as bolhas em que estamos inseridos e utilizarmos essas ferramentas para conhecer diferentes perspectivas, e não apenas um lado.”
Helso também destacou que as desigualdades sociais representam um desafio na transformação digital.
“Precisamos lembrar que a realidade brasileira ainda é muito difícil. Muitas pessoas sequer têm tempo para acompanhar todas essas transformações.”
Próximos passos do projeto
A programação do Amazônia Que Eu Quero segue nesta sexta-feira (24) com o Canvas de Políticas Públicas, no estande da Rede Amazônica, no Centro de Convenções Vasco Vasques. A atividade reunirá estudantes da Faculdade La Salle para desenvolver propostas ligadas à democracia na era digital, que serão incluídas no Caderno de Soluções do projeto.
Sobre o Amazônia Que Eu Quero
Lançado em 2019, o Amazônia Que Eu Quero é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica e do Grupo Rede Amazônica que promove educação política, estimula o diálogo entre setores da sociedade e incentiva a criação de soluções para os desafios da região amazônica. A edição de 2026 tem como tema central “Democracia na era digital: o uso das novas tecnologias no processo eleitoral”.
