Reviver memórias em Manaus
Manaus guarda lembranças que atravessam gerações. Antes da facilidade de assistir a filmes a qualquer momento, moradores da cidade percorriam videolocadoras em busca de títulos que reunissem a família na frente da televisão. Os cinemas de rua também faziam parte da rotina, assim como os encontros em espaços históricos, onde conversas, amizades e romances criavam momentos únicos.
Parte desse cenário ainda pulsa na cidade, presente em costumes, fotografias, discos de vinil e objetos que resistem ao tempo, além do jeito particular de se vestir para um piquenique entre amigas.
Preservação da memória afetiva
Em meio às transformações e crescimento acelerado de Manaus, projetos culturais mostram que preservar a memória é também reinventá-la. O Império Antiquário, por exemplo, nasceu há 20 anos para reunir pessoas apaixonadas por objetos antigos, como CDs, fitas cassete e moedas. O espaço se tornou um ponto de encontro para colecionadores, curiosos e interessados em compartilhar experiências.
Aldrim Almeida, proprietário do local e professor, destaca que a digitalização de mídias antigas é um dos serviços mais procurados. “Aqui digitalizamos qualquer tipo de mídia: VHS, slides, e convertemos para o formato necessário. Fita cassete é muito demandada. Também temos um grande acervo de DVD e Blu-ray. Muitas pessoas sentem saudade da época das locadoras”, comenta.
O interesse do público vai além dos objetos físicos; trata-se de resgatar costumes antigos e a memória afetiva. “A fotografia analógica é bastante procurada, pois permite às pessoas expressar seu lado artístico. Máquinas de datilografia e fitas são itens quase diários de busca. Discos de vinil, fitas cassete e outros objetos despertam emoções ligadas às lembranças familiares”, complementa Aldrim.
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O acervo do antiquário atende a um público amplo, que varia de crianças a idosos, valorizando o contato com o passado de forma concreta e acessível.
Memória viva em espaços culturais
Enquanto no antiquário a memória pode ser tocada e levada para casa, outros projetos em Manaus fazem a história ganhar vida por meio da convivência, da arte e da valorização do patrimônio histórico. Foi essa paixão pela cidade e por seus casarões que uniu Erislane, conhecida como Nanie, e Hillary Sheron. Na adolescência, as duas compartilhavam o interesse por moda antiga, literatura clássica e filmes de época, frequentando a Biblioteca Pública, eventos culturais em palácios históricos e o Teatro Amazonas.
Desse vínculo surgiu, em 2012, o Manaus Vintage, um projeto dedicado a registrar e divulgar encontros entre pessoas que veem na cultura e na história uma forma de se conectar com a cidade. Os participantes vestem roupas inspiradas em outras épocas, tomam café, conversam e fazem registros fotográficos diante dos casarões do Centro Histórico, cuja arquitetura remete à Belle Époque, período marcante na história amazonense.
O projeto ganhou maior visibilidade em junho de 2026, com o Picnic Vintage no Parque Jefferson Péres, evento aberto ao público que inclui sarau e apresentações artísticas, ampliando o alcance das iniciativas culturais.
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Fortalecendo a identidade cultural
“Despertar o interesse pela arquitetura, pelos monumentos e pela memória da cidade fortalece o sentimento de pertencimento e incentiva a preservação desses espaços”, afirma Nanie. O Manaus Vintage busca valorizar a identidade cultural amazonense, promover a literatura regional e dar visibilidade aos artistas locais.
O grupo que conduz o projeto reúne profissionais como Nanie e Hillary, ambas professoras e psicopedagogas; Glendanay Serudo, professora e neuropsicopedagoga; Bernardo Barbosa, músico e artista visual; e Pamela Shayene, administradora. Juntos, eles desenvolvem atividades que aproximam diferentes públicos da literatura, das artes e do patrimônio histórico.
Além dos encontros temáticos, o Manaus Vintage organiza oficinas de artes e artesanato, ensaios fotográficos com figurinos de época no Centro Histórico e um clube do livro dedicado a clássicos da literatura mundial e brasileira, à produção local e a autores contemporâneos da região.
Essas iniciativas reforçam a memória de Manaus, conectando passado e presente para construir uma cidade que valoriza suas raízes e sua cultura.

