Investimentos bilionários para a economia azul no Brasil
O Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF) anunciou um compromisso de investir US$ 2,5 bilhões em projetos relacionados à economia azul até 2030. A iniciativa está em andamento em 16 estados brasileiros e envolve aproximadamente 65 cidades beneficiadas, abrangendo setores estratégicos como saneamento, turismo, pesca, logística, energia, biodiversidade e resiliência climática.
Durante o evento “Brasil Azul”, realizado no dia 11, o representante do CAF no Brasil, Carlos Charme, destacou que o objetivo principal é preservar os oceanos, fortalecer as comunidades costeiras e promover práticas sustentáveis, como turismo responsável e pesca sustentável. Além disso, o investimento busca a restauração de ecossistemas marinho-costeiros, o desenvolvimento de tecnologias limpas e a modernização dos portos para torná-los mais sustentáveis.
Contexto e impacto econômico da economia azul no país
O Brasil possui uma zona costeira que inclui 17 estados e 279 municípios, com ativos naturais estratégicos como manguezais, estuários, recifes, praias, dunas e lagoas. Essas áreas sustentam setores fundamentais para a economia do país. Segundo Charme, as atividades diretamente ligadas à economia azul representam cerca de 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Quando considerados os efeitos indiretos e encadeamentos em outros setores produtivos, esse impacto pode ultrapassar 6% do PIB.
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O representante ressaltou que investir no mar e nos territórios costeiros significa também fomentar emprego, inovação, infraestrutura resiliente e o desenvolvimento regional. Ele destacou ainda o histórico do CAF no Brasil, mencionando que a instituição já financiava projetos de economia azul mesmo antes do termo ser amplamente utilizado.
Em Fortaleza, o relacionamento com o CAF dura mais de 15 anos e engloba investimentos em arborização, drenagem sustentável, recuperação de espaços públicos, fortalecimento da Agência do Mar e o desenvolvimento de uma agenda municipal para a economia azul. A cidade é um exemplo claro do potencial e dos desafios que o setor apresenta no país.
Meta ambiciosa e estratégias para desenvolvimento sustentável
O montante de US$ 2,5 bilhões representa o dobro da meta anterior do CAF, que havia estipulado US$ 1,25 bilhão para o período entre 2022 e 2025, valor que já foi superado com US$ 1,32 bilhão investidos antecipadamente. Esses recursos seguem as diretrizes da nova estratégia do banco para a economia azul sustentável, que estabelece um marco abrangente para o desenvolvimento de sistemas produtivos ao redor dos oceanos.
Esta estratégia é estruturada em cinco eixos principais: gestão produtiva, conservação e restauração dos recursos marinho-costeiros; fomento a energias renováveis oceânicas e redução da pegada de carbono; promoção de turismo e recreação sustentáveis que gerem renda para comunidades locais; incentivo à inovação e tecnologia, incluindo pesquisa em biotecnologia marinha e infraestrutura digital; e fortalecimento da governança com marcos legais, políticas públicas e articulação entre setores.
Com essa abordagem, o CAF reforça seu compromisso em alavancar a economia azul no Brasil, promovendo um desenvolvimento sustentável que une preservação ambiental e crescimento econômico.

