Metáforas tecnológicas no palco de Parintins
A 59ª edição do Festival Folclórico de Parintins trouxe um duelo simbólico que une tradição e inovação. Na abertura da primeira noite do garantido, um cachorro caramelo surgiu como representação da brasilidade e da popularidade do boi vermelho. Do outro lado, no espetáculo do caprichoso, um cachorro “tesla” — uma onça preta robótica — incorporou o que há de mais moderno na arte popular do brincar de boi. Essa dualidade expressa o confronto entre o ancestral e o futurista, tema central da terceira noite, que colocou frente a frente o Caprichoso, com o enredo “Brinquedo ancestral do povo”, e o Garantido, que apresentou “Parintins, terra encantada”.
Inovação e desafios na apresentação do Caprichoso
O Caprichoso apostou novamente em recursos tecnológicos que elevam a apresentação para outro patamar visual. Em apenas uma hora de espetáculo, a trupe utilizou três vezes o recurso de módulos suspensos, repetindo o uso até o final da apresentação. Embora visualmente impactante, essa repetição pode diminuir o efeito surpresa esperado pelo público e jurados. Além disso, a chuva e o vento causaram instabilidade no módulo que sustentava o boi com o levantador, gerando um pequeno tumulto na retirada do equipamento — uma demonstração clara dos riscos associados à tecnologia em eventos ao ar livre.
O ponto alto dessa inovação foi a presença da onça robô, uma criação que uniu a tradição do pajé com a modernidade da tecnologia, através de duetos coreografados que encantaram a plateia. Essa combinação mostra como o Caprichoso busca transformar o folclore em espetáculo tecnológico sem perder a essência cultural.
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Garantido valoriza suas raízes e cultura local
Enquanto isso, o Garantido trouxe para a arena uma apresentação que reforça a força da comunidade e a valorização das tradições. Com um elenco numeroso e todo no chão, exceto pelo boi Belezão, a apresentação exaltou a história do boi do povo, cantando um pot-pourri de toadas antológicas. A tecnologia ancestral também marcou presença com a “cagila aromática”, um banho de cheiro que utiliza o patchouli para envolver o público, resgatando uma tradição da década de 1990.
Um momento de destaque foi a homenagem ao Coronel, guardião da vaqueirada do Garantido, que mantém viva a confecção artesanal dos cavalinhos e dança personalizada, sem coreografia, preservando a autenticidade da cultura local. Essa conexão entre tecnologia ancestral e tradição reforça o papel social do festival como guardião da memória e identidade amazônica.
Contratempos e estratégias de adaptação
Ambos os bois enfrentaram desafios técnicos durante as apresentações. O Caprichoso teve falhas em duas alegorias relacionadas à lenda amazônica e figuras típicas da região. Já o Garantido enfrentou problemas na saída da rainha do folclore e da porta-estandarte, que foram contornados pelo improviso do coral ao convidar a rainha para a arena. Essas situações, embora comuns em eventos de grande porte, podem influenciar na pontuação final, ressaltando a importância do equilíbrio entre tecnologia, preparação e adaptação em tempo real.
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Apuração e expectativa final
Devido ao jogo da seleção brasileira, a apuração do resultado do festival, tradicionalmente realizada às 14 horas da segunda-feira, foi adiada para as 16 horas. Será nesse momento que saberemos qual utilização da tecnologia e da tradição conquistou mais os jurados e garantirá o título de campeão para o Caprichoso ou o Garantido. Independentemente do resultado, o festival reafirma a importância da conexão entre inovação e cultura no fortalecimento das manifestações populares do Amazonas.

