Advogado questiona demissões na saúde do Amazonas
Em Manaus (AM), o advogado trabalhista Luiz Ossuosky reagiu com veemência a um vídeo do secretário de Saúde do Amazonas, Luís Alberto Saraiva, e exigiu esclarecimentos sobre as recentes demissões na rede estadual de saúde. Em sua manifestação, Ossuosky afirmou que as exonerações são decisões exclusivas do governo, sem justificativas plausíveis, e criticou a gestão por dispensar profissionais sem motivos claros.
“Teve até secretário fazendo vídeo para tentar justificar, o que não tem nenhuma justificativa. Exoneração é, sim, uma decisão do governo. Demitem sem qualquer motivo e por qualquer motivo”, declarou o advogado.
Defesa dos direitos trabalhistas e denúncias de perseguição
Ossuosky assumiu a defesa dos trabalhadores afetados e pretende garantir que seus direitos sejam respeitados, especialmente o pagamento do que lhes é devido por lei. “Não vou aceitar que nenhum direito seja violado e que pais e mães de família sejam descartados sem receber o que é direito deles por lei”, enfatizou.
De acordo com o advogado, dezenas de profissionais já foram desligados, muitos deles por questionar irregularidades na rede estadual de saúde. “A prova são as dezenas de trabalhadores que já foram demitidos. Demitem todos aqueles que tentam se levantar contra as irregularidades e que não conseguem ficar calados”, afirmou Ossuosky.
Comparação com os desligamentos na AADESAM e riscos de terceirização
O advogado mencionou que mais de 400 trabalhadores da Associação de Apoio à Saúde do Amazonas (AADESAM) foram demitidos de maneira semelhante e alertou que o mesmo pode acontecer com os profissionais vinculados à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). “Da mesma forma que demitiram mais de 400 trabalhadores da AADESAM, querem fazer a mesma coisa com os profissionais da saúde. E exatamente do mesmo jeito, demitindo sem pagar nada”, disse.
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Além disso, Ossuosky questionou qual seria o impacto de uma mobilização maior dos profissionais da saúde, citando que se 40 técnicos e enfermeiros já fizeram barulho, o que 4 mil poderiam realizar em uma manifestação programada para o dia 21.
Secretário anuncia novidades aos servidores, mas sem detalhes
Na terça-feira, 18, o secretário Luís Alberto Saraiva publicou nas redes sociais um vídeo ao lado de representantes sindicais da saúde, afirmando que uma “boa notícia” seria anunciada em breve para os servidores. Apesar do anúncio, Saraiva não detalhou as medidas que serão comunicadas, apenas ressaltou que o governo fará uma divulgação importante em curto prazo.
Protestos em Manaus e relatos de demissões por telefone
No dia 17, servidores da rede estadual realizaram um protesto em frente ao Ministério Público do Trabalho (MPT), no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus. Eles exigiram esclarecimentos sobre as demissões recentes e contratos da rede estadual.
Durante o ato, uma servidora contou ter sido informada do desligamento por telefone, situação que a deixou constrangida. “Quando foi no dia 12, recebi uma ligação que eu tinha sido desligada com documento. Me senti muito constrangida. Essa foi a pior decepção da minha vida”, relatou à imprensa local.
Possível retaliação contra trabalhadores que acionaram a Justiça
O advogado Ossuosky também levantou a hipótese de perseguição a profissionais que recorreram à Justiça para garantir seus direitos, principalmente relacionados ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Segundo ele, supervisores estariam orientados a identificar trabalhadores que ingressaram com ações judiciais contra o Estado.
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Fonte: vitoriadabahia.com.br
“A Secretaria de Saúde do Amazonas persegue os trabalhadores que ingressaram na Justiça e obtiveram direito a receber o seu FGTS”, afirmou Ossuosky.
Defesa dos trabalhadores e críticas à substituição por terceirizados
Ossuosky criticou a possibilidade de substituição dos profissionais demitidos por empresas terceirizadas, defendendo a permanência dos trabalhadores na rede estadual. Ele ressaltou que a mobilização dos profissionais deve continuar, destacando a repercussão do protesto recente e o poder da categoria.
“A enfermagem ainda não sabe o poder que tem. Ontem, com apenas 40 técnicos e enfermeiros, não teve um portal de notícias que não tenha falado sobre a situação que está ocorrendo na área da saúde. E teve muita gente que tremeu”, afirmou.
O advogado finalizou reforçando que as demissões atingem principalmente aqueles que denunciam irregularidades e lutam por melhores condições de trabalho e valorização.
Posicionamento da Secretaria de Saúde do Amazonas
A Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas foi procurada para comentar as acusações, os desligamentos e a possibilidade de substituição dos trabalhadores por terceirizados. Até o momento, não houve manifestação oficial sobre as medidas anunciadas pelo secretário Luís Alberto Saraiva.

