Pressão intensa no plenário da ALE-AM
O governador Roberto Cidade enfrentou uma forte cobrança dos deputados estaduais na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) na última quarta-feira (26 de agosto). Parlamentares uniram-se para demandar a exoneração imediata do secretário de Saúde do Estado (SES-AM), Luís Alberto Saraiva Santos, após a divulgação de um vídeo nas redes sociais no qual ele faz ataques contra a ex-secretária municipal de Saúde, Dra. Shádia Fraxe, que é candidata a vice-governadora na chapa de David Almeida (Avante).
Reação contundente e ameaças na tribuna
O deputado Abdala Fraxe, marido de Shádia Fraxe, protagonizou a manifestação mais veemente no plenário. Ele qualificou o secretário de Saúde como “inepto”, “incompetente” e “vagabundo”, acusando-o de se utilizar da estrutura pública para ataques políticos enquanto a saúde estadual enfrenta colapso. Abdala deixou claro que não aceitará novas investidas contra sua família: “Se vossa excelência quiser falar alguma besteira em vídeo… o senhor vai se ver comigo. Respeite as caras, seu vagabundo”.
Mandato tampão e compromisso institucional
O deputado Rozenha destacou a natureza do mandato do governador Cidade, apontando que ele conduz um “governo tampão”, escolhido indiretamente pelos 24 deputados da ALE-AM, e não pela população. Rozenha declarou arrependimento pelo voto dado a Cidade e reforçou que a permanência do secretário pode acarretar a ruptura do apoio dos próprios deputados: “Quando se atinge a família de um deputado aqui, se atinge a família de todos. Se fosse secretário meu, não fecharia a boca e já estaria na rua”.
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Fonte: indigenalise-se.com.br
Críticas ao perfil do secretário e solidariedade a Shádia
A deputada Alessandra Campelo também manifestou solidariedade a Shádia Fraxe, classificando a gravação do secretário como um ataque “machista, misógino e covarde”. Ela ressaltou que o gestor tenta ganhar destaque nas redes sociais enquanto ignora suas responsabilidades técnicas na secretaria.
Contexto orçamentário e crise na saúde pública
Além das questões políticas, os deputados expuseram a ineficiência administrativa da saúde estadual. Abdala Fraxe comparou os recursos públicos: a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) lidera o ranking nacional Previne Brasil com orçamento de R$ 1,2 bilhão, enquanto a SES-AM dispõe de R$ 6 bilhões, mas enfrenta filas no Sisreg, falta de insumos e frequentes protestos de profissionais por salários atrasados. A situação crítica da saúde estadual tem motivado ações do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), que frequentemente notifica a SES-AM devido ao desabastecimento hospitalar e deficiências graves na rede pública do Amazonas.

