Participação feminina nas eleições do Amazonas
O Amazonas conta com 165 candidatas a cargos políticos nas eleições de 2026, o que corresponde a 35,2% do total de candidaturas no estado. Embora esse número seja inferior ao de homens, que somam 303 candidatos, ele representa um avanço proporcional em relação às eleições de 2022, quando 230 mulheres concorreram, o equivalente a 34,8% do total.
Essa redução no número absoluto de candidatas acompanha a diminuição geral das candidaturas, reflexo da queda no número de partidos políticos na disputa e do crescimento das federações partidárias, que competem como um único partido.
Distribuição das candidaturas femininas e cenário nacional
Em 2026, as mulheres no Amazonas disputam 101 vagas para deputada estadual, 54 para deputada federal, além de quatro primeiras suplentes de senador, três candidatas a vice-governadora, uma candidata ao Senado, uma segunda suplente de senador e uma postulante ao governo estadual.
A participação feminina no Amazonas é ligeiramente superior à média nacional, que registra 34,9% de candidatas no pleito deste ano, em comparação a 33,8% em 2022.
Queda nas candidaturas majoritárias femininas
Na disputa por cargos majoritários, houve redução significativa da representação feminina. Em 2022, duas mulheres concorreram ao governo do estado: Carol Braz, pelo Trabalhista (PDT), e Nair Blair, pelo Agir. Para 2026, apenas Maria do Carmo (PL) mantém candidatura ao Executivo estadual.
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Fonte: omanauense.com.br
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Quanto às candidatas a vice-governadora, o número permaneceu estável. Em 2022, Anne Moura (PT) integrava a chapa com Braga (MDB), Cristiane Balieiro (PSB) com Ricardo Nicolau (Solidariedade) e Rita Nobre (Agir) com Nair Blair. Este ano, Alessandra Campelo (PSD) compõe a chapa com Omar Aziz (PSD), Dra. Shádia Fraxe (Avante) com David Almeida (Avante) e Juliana Frota (PSTU) com Gilberto Vasconcelos (PSTU).
Candidaturas ao Senado e suplências
Para o cargo de primeira suplente de senador, o número de candidatas se mantém em quatro, tanto em 2022 quanto em 2026. Em 2022, destacaram-se Cheila Moreira (PT) com Omar Aziz, Maria do Carmo com Arthur Neto, Professora Fran (PDT) com Luiz Castro (PDT) e Wal Máximo (PSol) com Marília Freire (PSol). Já em 2026, figuram Kelly Barbosa (PSDB) com Plínio Valério (PSDB), Laynara Prestes (Rede) com Ismael Munduruku (Rede), Neida Farias (Mobiliza) com Milton Xuxa do Amazonas (Mobiliza) e Sandra Braga (MDB) com Eduardo Braga.
Na segunda suplência de senador, a participação feminina caiu 67%. Em 2022, três mulheres estavam aptas: Ana Maria Guimarães (PSol), Katte Millet (Solidariedade) e Madalena Silva (PDT). Este ano, apenas Professora Judite (PSDB) concorre como segunda suplente na chapa de Plínio Valério.
Contexto social e político da sub-representação feminina
Segundo a doutora em filosofia política Ivy Chagas, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a persistência da sub-representação feminina na política resulta da cultura patriarcal e conservadora que ainda domina o campo político, além da desigualdade de recursos e oportunidades durante as campanhas.
Ela alerta que os partidos frequentemente cumprem a cota de gênero apenas formalmente, sem garantir apoio efetivo às candidatas, principalmente no repasse igualitário de verbas. A estrutura partidária, dominada por homens, tende a privilegiar candidatos com histórico consolidado, dificultando o avanço das mulheres.
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Fonte: noticiasdorecife.com.br
Além disso, a dupla jornada feminina, que inclui trabalho doméstico e familiar não remunerado, limita a dedicação necessária para campanhas eficazes. A violência política e a hostilidade nos ambientes eleitorais também representam obstáculos para as mulheres que buscam cargos majoritários e proporcionais.
Desafios e perspectivas segundo ativistas
Francy Júnior, historiador e ativista do Movimento das Mulheres Negras da Floresta – Dandara, destaca que, apesar dos avanços legais, a baixa representatividade feminina no Amazonas permanece evidente. Nas últimas eleições, nenhuma mulher foi eleita para a Câmara Federal ou Senado, e a presença na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE) é reduzida e pode diminuir.
Ele ressalta que mulheres negras, trans, indígenas, quilombolas, periféricas e do interior enfrentam barreiras ainda maiores. Para além da exigência legal de candidatura feminina, Francy Júnior defende a necessidade de garantir condições reais para a disputa, como financiamento justo, estrutura partidária adequada, espaço na propaganda eleitoral, formação política, apoio jurídico e comunicação, além de fiscalização rigorosa para coibir candidaturas fictícias.
Dados eleitorais e eleitorado feminino
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirma a redução no número absoluto de candidatas no Amazonas, de 230 para 165, entre 2022 e 2026. Contudo, a participação feminina aumentou proporcionalmente de 34,8% para 35,2%. O eleitorado feminino corresponde a 51,4% dos votantes no estado, totalizando 1.441.079 eleitoras.

