Propostas para as mulheres ganham destaque na disputa pelo governo do Amazonas
As mulheres representam 50,13% da população do Amazonas, conforme dados do Censo Demográfico 2022 do IBGE, e desempenham papel fundamental na organização e sustento das famílias locais. Essa realidade reflete-se nos planos de governo dos sete candidatos ao governo do estado, que reservaram capítulos específicos para as políticas voltadas ao público feminino, apresentados ao DivulgaCandContas, plataforma oficial da Justiça Eleitoral desenvolvida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Apesar das diferenças ideológicas e de foco, todos os candidatos abordam com prioridade os temas da saúde e da segurança da mulher. As propostas variam entre atenção ginecológica, obstétrica e saúde mental, além de medidas de proteção contra a violência. Entretanto, a única candidata mulher na disputa, Maria do Carmo Seffair (Mudar é Urgente), apresenta pontos mais sucintos no seu plano, sem detalhamentos profundos nas ações para as mulheres.
Saúde materno-infantil e combate à violência são eixos comuns
Cabo Daciolo (Mobiliza) dedica dois programas diretamente às mulheres entre os 33 apresentados. O “Mulher, Criança e Saúde Mental” prevê reforço na atenção à gestação de alto risco, parto seguro, assistência neonatal e pediátrica, com ênfase especial no interior do estado. A proposta inclui prevenção e diagnóstico dos cânceres de mama e colo do útero, além da ampliação dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para atendimento a situações de crise e prevenção do suicídio.
Já o programa “Mulher Protegida e Independente” une o enfrentamento à violência com ações de acolhimento, orientação e fortalecimento da rede de proteção, utilizando estruturas regionais e atendimento remoto, em articulação com prefeituras e órgãos públicos, principalmente para ampliar o atendimento no interior. O plano reconhece a relação entre autonomia financeira e a capacidade de romper ciclos de violência.
Ampliação da rede de proteção e incentivo ao empreendedorismo
David Almeida (Pra Cima Amazonas) concentra as propostas para mulheres nos eixos “Amazonas por Elas” e “Rede Mulher Segura Amazonas”. Entre as medidas, destacam-se a ampliação da rede de enfrentamento à violência, com criação de serviços especializados para reeducação de homens autores de agressões. O plano também prevê políticas para fortalecer a inserção feminina no mercado de trabalho e incentivos ao empreendedorismo.
O candidato aposta na conclusão da “Casa da Mulher” e na ampliação das Delegacias Especializadas em Crimes Contra a Mulher (DECCM) e dos Centros de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM). A estratégia envolve integrar atendimento jurídico e psicológico para ampliar o acolhimento às vítimas, equilibrando prevenção, combate à violência e autonomia econômica.
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Fonte: triangulodeminas.com.br
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Fonte: rjnoar.com.br
Enfrentamento da desigualdade estrutural e proteção social
Gilberto Vasconcelos (PSTU) aborda a questão das mulheres sob uma perspectiva ideológica, atribuindo a opressão feminina às desigualdades estruturais do sistema econômico. Seu plano propõe a criação de delegacias especializadas 24 horas, casas-abrigo e redes de atendimento dimensionadas pelo Estado, além de punição rigorosa aos agressores.
Ele defende campanhas de combate à violência em escolas, locais de trabalho e meios de comunicação, além da criação de comissões de mulheres para prevenir e enfrentar a violência em diversos espaços. No campo econômico, o plano defende salário igual para trabalho igual, combate à desigualdade salarial, especialmente para mulheres negras, e garantia de direitos trabalhistas e proteção social para trabalhadoras informais e desempregadas.
Para Vasconcelos (PSTU), emprego, renda e moradia são fundamentais para romper ciclos de violência, e ele propõe responsabilizar plataformas que, segundo seu documento, lucram com a disseminação de discursos misóginos e de ódio contra mulheres.
Medidas específicas de segurança e saúde integral
Maria do Carmo Seffair (Mudar é Urgente), única mulher na disputa, foca em reforçar ações de segurança com policiais especializados em todos os 62 municípios, abrangendo Manaus e o interior, para atender mulheres em situação de violência. Apesar da proposta, o plano não detalha a implantação dessa estrutura ou os recursos destinados.
Na saúde, defende o cuidado integral para reduzir o intervalo entre diagnóstico e tratamento de doenças graves, citando especificamente o câncer do colo do útero, embora sem metas claras ou prazos para as ações.
Rede regional de delegacias e políticas de igualdade
Isael Munduruku (Federação Psol Rede) propõe criar uma rede regional de delegacias e equipes especializadas, com atendimento presencial e canais remotos, além de casas de acolhimento para mulheres e filhos sob ameaça. O plano inclui patrulhas de proteção, monitoramento das medidas protetivas e capacitação de profissionais para evitar revitimização e discriminação.
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Fonte: soudesaoluis.com.br
O candidato sugere ainda ampliar a autonomia econômica feminina por meio de crédito, formação profissional, creches e compras públicas. A proposta prevê orçamento sensível a gênero e raça, com indicadores para avaliação do impacto das políticas públicas. A ideia é distribuir responsabilidades entre secretarias estaduais e criar mecanismos para denúncias e responsabilização no serviço público.
Saúde materna e regularização fundiária para mulheres
Omar Aziz (Força Amazonas) destaca no seu plano a regularização fundiária com preferência para emissão de títulos de propriedade em nome das mulheres, especialmente nas famílias chefiadas por elas. Na saúde, defende a descentralização do atendimento materno com a implantação de novas maternidades no interior, integradas aos hospitais regionais, reduzindo deslocamentos para Manaus.
O candidato reforça a participação das mulheres na definição das políticas públicas, citando como exemplo a adoção da vacina contra HPV na gestão anterior. Na área de proteção, propõe programas para inclusão e enfrentamento à violência de gênero, aprimorando atendimento às vítimas e atuação da segurança pública.
Política pública para mães solo e hospital especializado
Roberto Cidade inclui no seu plano a construção do Hospital da Mulher, com serviços especializados em ginecologia, obstetrícia, mastologia, oncologia e medicina fetal, para ampliar exames, cirurgias e atendimento humanizado, com foco na segurança materno-infantil. Os recursos previstos envolvem o Novo PAC, Ministério da Saúde, SUS, Tesouro Estadual, operações de crédito e emendas parlamentares.
Além disso, propõe uma política estadual para mães solo, financiada por recursos do Tesouro, convênios federais, microcrédito e parcerias com municípios para ampliar vagas em creches, sem criar estruturas inteiramente novas.
Próximos passos e desafios na implementação das propostas
Os planos apresentados evidenciam a centralidade das questões femininas na disputa pelo governo do Amazonas, com propostas que envolvem desde a saúde e segurança até a autonomia econômica e combate às desigualdades. O desafio está na execução dessas medidas, que exigirá articulação entre órgãos públicos, recursos financeiros e monitoramento constante para garantir efetividade e impacto real na vida das mulheres amazonenses.

