Clubes de leitura em Manaus promovem o crescimento do público leitor
O Dia Nacional do Livro, celebrado no Brasil em 29 de outubro, é uma data que reforça a importância da leitura como ferramenta de transformação. Em Manaus, a cena literária tem ganhado força com a atuação de clubes de leitura que atraem um número crescente de participantes. A CRÍTICA conversou com representantes dessas comunidades para entender como o hábito de ler vem se difundindo na capital amazonense.
Entusiasmo pelo terror e a pluralidade dos gêneros literários
Melyse Cordeiro, formada em Economia, dedica quase uma década ao universo dos clubes de leitura. Motivada pelo desejo de compartilhar sua paixão pelos livros, criou em parceria com a livraria Valer o clube Mudas de Terror, focado no gênero que mistura medo e curiosidade. Segundo Melyse, a tensão provocada pelo medo desperta o interesse dos leitores e ativa respostas fisiológicas ligadas ao prazer da leitura.
“O medo é fundamental para a sobrevivência do ser humano, mas também para explorar sentimentos diferentes. O clube de leitura faz isso: mistura os sentimentos”, explica.
Complementando essa diversidade, o clube Ponto Seguido, fundado em 2 de novembro de 2022 por Thainá Negreiros, estudante de Letras da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), valoriza a pluralidade de gêneros e promove leituras regionais. No Ponto Seguido, os títulos são escolhidos pelos próprios membros por meio de sorteios ou votações, o que fortalece a presença de autores amazonenses no cenário local.
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Valorização da literatura amazonense e impacto social
O clube tem como destaque a leitura da trilogia da Aritana Tibira e o livro Rio Negro de Pessoas Pretas, obras que retratam realidades da periferia e contam com a participação dos autores em encontros com os leitores. Essa aproximação entre escritores e público cria um vínculo importante para a valorização da cultura local.
“Temos a trilogia da Aritana Tibira, que foi uma leitura que fizemos e ela participou do nosso encontro. São livros que retratam a realidade das pessoas da periferia. Outra leitura é Rio Negro de Pessoas Pretas, que tem três autores amazonenses e também participaram de um encontro conosco”, relata Thainá.
Leitura como ferramenta de transformação e fortalecimento comunitário
Tanto Melyse quanto Thainá observam o crescimento da comunidade leitora em Manaus, impulsionado pela criação de novos clubes. A troca de experiências durante os encontros não apenas amplia o repertório cultural, mas também fortalece vínculos sociais e promove apoio emocional entre os participantes.
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“Eu era uma pessoa muito isolada, gostava de ler, mas não tinha com quem falar. Quando você encontra um grupo, um clube, você aprende a ampliar sua visão. A ter mais empatia”, revela Melyse.
O livro assume o papel de protagonista, mas também de palco para debates, sonhos e cura. O hábito de ler ultrapassa datas comemorativas e se estabelece como um prazer constante, que conecta leitores a diferentes realidades e histórias.
“A gente fala sobre os temas dos livros, mas também sobre nossas vidas. Eles abrem nossos olhos para a realidade do outro”, destaca Thainá.

