Pesquisa destaca Manaus como cidade globalmente vulnerável ao calor
Um estudo recente publicado na revista científica Sustainable Cities and Society em 2026 classificou Manaus entre as dez cidades do mundo mais expostas ao calor. Intitulada “Moving beyond exposure: a globally comparable framework for heat risk assessment in cities” (Além da exposição: uma estrutura globalmente comparável para avaliação do risco térmico nas cidades), a pesquisa avalia não só as temperaturas registradas, mas também fatores socioeconômicos e a capacidade de enfrentamento da população frente ao calor.
Apesar da alta exposição térmica, Manaus ocupa a 27ª posição no índice geral de risco térmico, com pontuação próxima a 0,66. Essa diferença ocorre porque o estudo também leva em conta as condições sociais e a infraestrutura disponível para amenizar os efeitos do calor sobre os moradores.
Como o calor e a umidade agravam o desconforto térmico em Manaus
A avaliação da exposição térmica considera diversos indicadores, incluindo temperatura do ar, umidade relativa, velocidade do vento e radiação térmica. Em Manaus, a combinação de altas temperaturas com níveis elevados de umidade prejudica o processo natural de evaporação do suor, dificultando a regulação da temperatura corporal. Isso eleva o desconforto e os riscos à saúde quando a população fica exposta por períodos prolongados.
Para medir esses efeitos, os pesquisadores aplicaram o Índice Universal de Clima Térmico (UTCI), ferramenta que avalia o impacto das condições ambientais no organismo humano.
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Fatores que aumentam o risco térmico e a importância da arborização
Além das condições climáticas, o estudo destaca que a vulnerabilidade dos moradores está relacionada a fatores como renda, perfil demográfico e acesso a recursos para enfrentar o calor. A capacidade de enfrentamento inclui a infraestrutura urbana disponível, como a presença de aparelhos de ar-condicionado, acesso à energia elétrica e áreas verdes.
A arborização urbana tem papel fundamental na mitigação do calor, oferecendo sombra e contribuindo para a redução das temperaturas em ambientes urbanos. Contudo, o estudo alerta que a dependência excessiva do ar-condicionado acarreta aumento do consumo de energia e impactos ambientais, agravando o problema climático. Por isso, são recomendadas soluções de resfriamento passivo, como sombreamento natural, ventilação e expansão das áreas verdes.
Posição de Manaus no ranking nacional e internacional
Entre as 205 cidades analisadas globalmente, Manaus lidera o ranking brasileiro, seguida por Goiânia (46ª posição) e Belo Horizonte (66ª). Outras cidades brasileiras presentes nas primeiras 120 posições são Fortaleza (67ª), São Paulo (77ª), Rio de Janeiro (83ª), Brasília (88ª), Recife (89ª), Salvador (93ª), Curitiba (119ª) e Porto Alegre (120ª). Nove cidades do Brasil figuram entre as 100 primeiras no índice geral de risco térmico.
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Medidas recomendadas para reduzir os impactos do calor nas cidades
O estudo reforça a necessidade de políticas públicas focadas na adaptação das cidades às mudanças climáticas. Entre as ações sugeridas estão o aumento da arborização urbana, criação de espaços públicos sombreados, planejamento urbano eficiente e investimento em alternativas de resfriamento que reduzam a dependência energética.
Proteção a grupos vulneráveis — como idosos, crianças e pessoas com condições de saúde sensíveis ao calor — também é destacada como fundamental para minimizar os impactos das altas temperaturas.
Vale destacar que a pesquisa não mede as temperaturas atuais de Manaus, mas apresenta uma comparação internacional das condições de exposição, vulnerabilidade e capacidade de resposta das cidades avaliadas.

